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sexta-feira, 2 de março de 2012

Revisitando os filmes de zumbis de George Romero - Diário dos Mortos (2007)



[DIÁRIO DOS MORTOS (DIARY OF THE DEAD, 2007)] Cotação: •

Enquanto todos os outros filmes de zumbis de Romero foram separados por um longo intervalo de tempo, Diário dos Mortos saiu menos de dois anos depois de Terra dos Mortos. Não se sabe a razão da pressa (foi filmado em apenas 23 dias), mas fica evidente, na tela, a falta de uma preparação maior: o diretor-roteirista parece perdido, sem uma história interessante para contar e tomando várias decisões equivocadas.

Na verdade, Diário dos Mortos é tão diferente dos demais que, depois dos primeiros 15 minutos, eu fui pesquisar para ver se realmente tinha pegado o filme de Romero ou se estava vendo alguma versão genérica da The Asylum, tal a falta de estilo/objetivo da película. Romero já começa surpreendendo: esquece sua quadrilogia original e não dá continuidade a Terra dos Mortos, preferindo "rebootar" a franquia e mostrar o que aconteceria se A Noite dos Mortos-Vivos acontecesse agora, em pleno século 21 – uma desculpa para utilizar ferramentas modernas, como câmeras digitais e internet, que não teriam espaço num universo tomado por zumbis pós-Terra dos Mortos. A história acompanha um grupo de jovens universitários que está produzindo um filme barato de horror quando os mortos começam a despertar.

Desesperados, desorientados pela falta de notícias confiáveis (apesar do imediatismo da internet, agora somando-se ao rádio e à TV dos filmes antigos), eles pegam um trailer e atravessam os Estados Unidos em busca de um lugar seguro, lutando contra zumbis e topando com estereótipos de problemas sociais já vistos nos outros episódios (negros que sofrem preconceito, militares com más intenções, humanos usando mortos-vivos como alvos e confirmando sua própria selvageria…).

No meio de tudo isso, um dos jovens, Jason Creed (Joshua Close), resolve filmar tudo para fazer um documentário sobre o retorno dos mortos, chamado The Death of Death. As imagens que vemos seriam uma "versão editada" do material bruto filmado pelos jovens, ao estilo A Bruxa de Blair e Cloverfield. Embora isso permita ao diretor brincar com metalinguagem e ironizar a indústria do cinema (como a jovem que quer acrescentar música e sons ao documentário para torná-lo mais assustador), também acaba se tornando o ponto mais fraco do filme, já que as imagens captadas são "profissionais" demais para parecerem a filmagem amadora de um grupo de jovens – neste aspecto, Romero perdeu feio para The Zombie Diaries e REC, dois filmes com a mesma proposta produzidos antes e ao mesmo tempo de Diário dos Mortos. A ideia em si não é nova, pois remete a um obscuro filme independente norte-americano chamado Dead End, produzido em 1985 e já mostrando a realização de um documentário durante uma infestação de mortos-vivos. Já os personagens adolescentes (nunca antes explorados nos filmes de mortos-vivos do diretor) são irritantes, levando o espectador a torcer para que os zumbis matem a todos.

Talvez isso faça parte da crítica de Romero à sociedade moderna e à "idiotização" dos jovens por ferramentas como a internet, o que fica evidente na cena em que o cameraman prefere filmar um zumbi atacando uma garota do que largar a câmera e ajudá-la. Mas Diário dos Mortos realmente não convence e, pelo menos na minha opinião, é o mais fraco da série de zumbis de George A. Romero, sem muito a dizer e sem novidades em relação aos anteriores – além, claro, da inclusão de adolescentes xaropes nos papéis principais e de constrangedores efeitos em computação gráfica nas cenas de violência. E como é um filme de estrada, em que os personagens ficam zanzando de trailer para lá e para cá, perde-se também a sensação de claustrofobia dos anteriores, quando havia o isolamento num lugar fechado (casa da fazenda, Shopping Center, laboratório subterrâneo, Fiddler's Green). Como curiosidade, gente famosa (Stephen King, Wes Craven, Simon Pegg, Quentin Tarantino e Guillermo del Toro) empresta sua voz para os boletins de rádio e TV ouvidos ao longo do filme. Não foi refilmado ainda (mas bem que poderia…).

Em 1988, o produtor italiano Franco Gaudenzi contratou o cineasta Lucio Fulci para filmar uma continuação de seu grande sucesso (Zombie, de 1980). O orçamento era uma merreca, os atores de segunda linha, as locações nas Filipinas, o roteiro sem pé nem cabeça, e, para piorar, a saúde de Fulci estava por um fio. Ele acabou abandonando as filmagens após alguns dias, deixando pouco mais de uma hora de material filmado. A solução encontrada por Gaudenzi foi chamar os nada hábeis Claudio Fragasso (roteirista) e Bruno Mattei (diretor) para terminar o serviço, e o resultado é Zombie 3, um trashaço daqueles em que nada funciona (cenas que eram para ser sérias acabaram lado a lado com momentos esdrúxulos), e ao mesmo tempo um filme híbrido, esquisito, que foi finalizado por autores de talentos radicalmente diferentes.


[Fonte: Boca do Inferno]
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