quinta-feira, 22 de março de 2012

The Walking Dead: The Game ganha trailer

O seriado de TV The Walking Dead será fonte de inspirações para dois games: de Facebook, e mais um, The Walking Dead: The Game, produzido pela Telltale para as plataformas PCs, PlayStation Network, Xbox Live Arcade, Mac e iOS.

O título da Telltale será lançado de forma episódica (em cinco partes) a partir de abril, e contará com o mesmo universo da TV, mas com nova história e protagonistas. Além disso, o visual do jogo também buscará referências no traço dos quadrinhos. Assista ao trailer:




[Fonte: Omelete]

The Walking Dead contrata sua Michonne

A série The Walking Dead contratou a atriz que viverá Michonne na terceira temporada. Dana Gurira (Treme) viverá a personagem dos quadrinhos, uma das favoritas dos fãs, na adaptação televisiva.

[Dana Gurira e Michonne]

Quem já leu as HQs sabe da importância da heroína. Michonne é uma das sobreviventes do apocalipse zumbi, que se junta ao grupo com sua afiada espada.

Em outra notícia sobre a terceira temporada, Michael Rooker confirmou este fim de semana que retornará como Merle Dixon em pelo menos três episódios. O personagem foi visto pela última vez no telhado de um prédio, algemado - e depois desapareceu.

O próximo ano da série promete ser o melhor até agora, já que terá dois dos melhores personagens da HQ. Além de Michonne, o Governador (David Morrissey) já está confirmado.


[Fonte: Omelete]

Os Mortos-Vivos (The Walking Dead) - Origem de Michonne sai em HQ na Playboy dos EUA

Michonne, uma das personagens mais queridas dos fãs de Os Mortos-Vivos - da HQ, pois no seriado de TV ela ainda não chegou - finalmente terá sua origem revelada. Mas não será na série mensal dos zumbis, e sim nas páginas da Playboy.

A edição da revista masculina que sai esta semana nos EUA tem 6 páginas da dupla Robert Kirkman / Charlie Adlard contando como Michonne virou a mestre na espada e na sobrevivência no mundo assolado por zumbis.

Por enquanto restrita aos leitores da Playboy impressa e online, é provável que a história seja liberada em breve na rede - ou em futuras edições de Os Mortos-Vivos.


[Fonte: Omelete]

The Walking Dead - Episódio final da segunda temporada

A segunda temporada de The Walking Dead quebrou recordes de audiência nos EUA - mais uma vez.

O episódio número 13 da segunda temporada, intitulado "Besides de Dying Fire", foi ao ar na noite de ontem, dia 18, pelo canal pago AMC. A exibição marcou o maior número já registrado na audiência de uma série de TV fechada dos EUA - 9 milhões de espectadores.

Esta é a terceira vez que Walking Dead atinge números maiores do que os previstos para uma série de TV paga. A estreia do segundo ano, que teve audiência total de 7,3 milhões de espectadores, já quebrou um recorde anterior - o do episódio final da primeira temporada, que chegou a 6 milhões de espectadores


[Fonte: Omelete]

quarta-feira, 14 de março de 2012

Biografias: George Romero

"Meus filmes sobre zumbis foram tão longe que eu fui capaz de refletir os climas socio-políticos de décadas diferentes. Eu tenho um conceito de que eles têm uma pequena parte de uma crônica, um diário cinemático do que está acontecendo".


Se fossemos capazes de resumir em uma única palavra o que George A. Romero representa para o gênero terror, ela seria nada menos do que Mestre. Considerado como o pai dos filmes modernos sobre zumbis, Romero sempre foi respeitado, homenageado e referenciado neste subgênero que ajudou a promover com excelência. Sua figura simpática, acessível e por vezes tímida na vida pessoal se transforma em um homem com o pulso firme de um indivíduo que sabe o que quer, quando está dirigindo uma produção e tornando-a mais um sucesso.

George Andrew Romero (sim, o A é de Andrew), nasceu no dia 4 de fevereiro de 1940, na cidade de Nova York, Estados Unidos, com descendência cubana, e entrou na renomada universidade Carnegie-Mellon em Pittsburgh no estado da Pennsylvania. Depois de graduado, Romero passou a dirigir pequenos curtas e comerciais.

Ele e alguns amigos formaram a produtora Image Ten Productions no final dos anos 60. Fizeram uma espécie de "vaquinha" levantando cerca de 10 mil dólares para cada um e produzir o que se tornaria um dos filmes de terror mais celebrados de todos os tempos: A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1968).


Filmado em preto e branco com um orçamento de um pouco mais de 100 mil dólares, a visão de Romero, combinada com um roteiro sólido de autoria própria com auxílio do co-fundador da Image, John A. Russo, trouxe para a produtora um excelente retorno financeiro, alçando status de cult. A importância da produção foi tamanha que em 1999 o filme foi indicado para entrar no registro nacional de filmes do congresso dos Estados Unidos.

Antes de retornar aos mortos-vivos os próximos filmes de Romero foram menos aclamados e consequentemente menos vistos, mas não menos curiosos. Nesta fase estão filmes como ESTRANHAS MUTAÇÕES (1973) e MARTIN (1977). Apesar de não obterem o sucesso atingido com A NOITE..., estes filmes têm sua assinatura nas críticas e comentários sociais, normalmente relacionados com o terror. Como a maioria de seus filmes, eles foram rodados na cidade favorita de Romero (Pittsburgh, Pennsylvania) ou arredores.

Até que chega 1978 e Romero retorna ao gênero dos zumbis com o filme que conseguiu superar o resultado obtido anteriormente com A NOITE DOS MORTOS VIVOS. DESPERTAR DOS MORTOS foi produzido sem o envolvimento da Image Ten, até então detentora da franquia, pois devido a um erro da produtora na hora de registrar A NOITE... acabou transformando-o em um filme de domínio público, como resultado Romero e os investidores originais não receberiam nenhum dinheiro sobre os lançamentos em vídeo.


Filmando em um shopping na Pennsylvania durante a madrugada, Romero conta à história de quatro pessoas que escapam de uma série de ataques de zumbis e se trancam dentro de um lugar em que pensam que é um paraiso até que se tornam vitimas de si mesmos, da cobiça e de uma gang de motoqueiros.

Filmado com um orçamento de apenas 500 mil dólares (dizem que a cifra de 1,5 milhões divulgada foi apenas uma jogada de marketing para ajudar os produtores nas negociações com os distribuidores), o filme arrecadou mais de 40 milhões no mundo inteiro e foi nomeado como um dos filmes mais "cults" de todos os tempos pela revista Entertainment Weekly no ano de 2003. O filme também marcou o início de uma amizade e parceria duradoura entre Romero e o brilhante artista em maquiagem e efeitos Tom Savini.


DESPERTAR DOS MORTOS abriu as portas para Romero trabalhar com maiores orçamentos e elencos mais estrelados. O primeiro filme desta fase foi CAVALEIROS DE AÇO (1981), onde trabalhou com o ator Ed Harris e em seguida CREEPSHOW (1982), que marcou a primeira, mas não a última, adaptação de um trabalho do escritor Stephen King. CREEPSHOW fez sucesso suficiente para que fosse habilitada uma continuação em 1987 também roteirizada por Romero.

A carreira de Romero deu uma declinada com o encerramento da então trilogia dos mortos com o filme DIA DOS MORTOS (1985). Sem o mesmo brilhantismo de seus dois filmes anteriores sobre zumbis, a produção derrapou na mão dos críticos que o consideraram bem "nhé", não tendo o sucesso esperado na bilheteria e fazendo com que Romero voltasse ao assunto quase 20 anos depois.


Na sequência Romero dirigiu COMANDO ASSASSINO (1988), sobre um homem tetraplégico e um macaco treinado que vira aos poucos seu instrumento de vingança. Ganhou prêmios em alguns festivais, mas não foi muito celebrado pelo público médio. Depois reparte uma adaptação de um conto de Edgar Allan Poe no filme DOIS OLHOS SATÂNICOS (1990) com o diretor Dario Argento e em seguida mais uma adaptação de Stephen King com o interessante e subestimado A METADE NEGRA de 1993.

Sem obter o mesmo reconhecimento em termos de bilheteria dos seus filmes de zumbis, Romero só voltaria à cadeira de diretor após um hiato de sete anos com o filme A MÁSCARA DO TERROR, sobre um homem cuja face se torna gradualmente uma máscara branca, que também não foi bem e possibilitou mais uma pausa, desta vez por mais cinco anos.


Mas um pouco antes, em 1998, Romero foi contratado pela produtora de games Capcom para rodar um comercial de 30 segundos para promover o popular game Resident Evil 2, acontece que o comercial foi divulgado nas semanas que seguiram do lançamento jogo e se tornou muito popular no Japão, fato este que fez com que a Capcom formalizasse um convite para que Romero dirigisse a versão cinematográfica do game. Como bem sabemos Romero recusou, em suas palavras: "Não quero fazer mais um filme de zumbis e não quero fazer um filme baseado em alguma coisa que não é minha...". Entretanto um pouco depois o diretor reconsiderou e chegou a escrever um roteiro, embora tenha recebido vários elogios, foi descartado para dar lugar ao tratamento de Paul W. S. Anderson.

Romero demonstrou admiração pelo diretor Zack Snyder após os bons resultados do remake de DESPERTAR DOS MORTOS, lançado no Brasil como MADRUGADA DOS MORTOS (2004), fato este que contribuiu para o retorno do diretor em transformar a trilogia em quadrilogia, não antes de se aventurar no mundo dos quadrinhos ao escrever uma minissérie pela DC Comics em 6 partes chamada "Toe Tags Featuring George Romero" (com arte de Tommy Castillo e Rodney Ramos).


Em 2005 finalmente saiu TERRA DOS MORTOS e com criticas positivas e bom retorno financeiro, Romero anunciou mais um filme sobre zumbis: DIÁRIO DOS MORTOS, mas alguns rumores apontaram que, no começo do mês outubro de 2006, o diretor teria sido hospitalizado por um colapso, o que preocupou os fãs. Surpreendentemente na metade deste mesmo mês o mestre se sentiu bem o suficiente para continuar sua obra. Infelizmente, o diretor acabou se rendendo à moda dos "mockumentaries" e fez um filme irregular, distante da série criada ao longo de sua carreira.

Dois anos depois, ele voltaria mais uma vez ao subgênero com um filme ainda menos interessante: A ILHA DOS MORTOS, com algumas boas ideias numa realização mediana, o longa foi a parte final de sua segunda trilogia iniciada em 2005, mas as críticas negativas possivelmente levaram o cineasta a um novo hiato.


Completando 72 anos neste dia 4 de fevereiro de 2012, esperamos que o mestre permaneça vivo por tempo suficiente para trazer muito mais mortos de volta à vida.


[CURIOSIDADES]

- George Romero é casado com a atriz Christine Forrest, que conheceu nos sets de Season of the Witch e que quase sempre faz ponta nos seus filmes;

- Foi candidato para dirigir uma versão cinematográfica do livro "A Dança da Morte" de Stephen King, adaptado por Rospo Pallenberg, mas o filme nunca se materializou. Ao invés disto foi adaptada pelo próprio King em uma minissérie de TV;

- Também foi contatado para dirigir CEMITÉRIO MALDITO, mas desistiu devido a diversos atrasos, passou o bastão para o amigo Tom Savini, que também caiu fora até que finalmente Mary Lambert ficar com o trabalho;

- Começou a fazer filmes quando ainda tinha 14 anos em uma câmera de 8mm;

- Romero colaborou com a empresa de games Hip Interactive na produção de um jogo chamado City of the Dead, mas o jogo foi cancelado devido a problemas financeiros da empresa;

- Segundo George Romero seus 10 filmes favoritos são: Irmãos Karamazov (1958), Casablanca (1942), Dr. Fantástico (1964), Matar Ou Morrer (1952), As Minas do Rei Salomão (1950), Intriga Internacional (1959), Depois Do Vendaval (1952), Repulsa Ao Sexo (1965), A Marca Da Maldade (1958) e Os Contos de Hoffman (1951), muito embora afirme que foi este último que o fez ter vontade de fazer filmes;


[FILMOGRAFIA]

2009: A Ilha dos Mortos (Survival of the dead)
2007: Diário dos Mortos (Diary of the dead)
2005: Terra dos Mortos (Land of the dead)
2000: A Máscara Do Terror (Bruiser)
1993: A Metade Negra (Dark half, The)
1990: Dois olhos satânicos (Due occhi diabolici)
1988: Comando Assassino (Monkey shines)
1985: O Dia dos Mortos (Day of the dead)
1982: Creepshow – Show de Horrores (Creepshow)
1981: Cavaleiros de Aço (Knightriders)
1978: Despertar dos Mortos (Dawn of the dead)
1977: Martin (Martin)
1974: O.J. Simpson: Juice on the loose (TV)
1973: Exército de Extermínio (The Crazies)
1972: Season of the Witch / Hungry wives
1971: There’s always vanilla
1968: A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the living dead)


[Fonte: Boca do Inferno - Gabriel Paixão]

The Walking Dead - Vídeo revela o trabalho de computação gráfica da série

Olha que show.

Embora muitos zumbis em The Walking Dead sejam criados com uma boa dose de próteses e maquiagem, a série também usa bastante computação gráfica. Um novo vídeo de produção mostra alguns dos elementos que terminam gerados virtualmente em cena.

The Walking Dead - Série originalmente teria alienígenas. Robert Kirkman revela que a Image Comics cobrou algo mais que zumbis

Durante a Image Expo, convenção promovida pela Image Comics em Oakland/EUA, Robert Kirkman revelou uma história peculiar sobre a gênese de Os Mortos-Vivos. Mais especificamente, como conseguiu vender a HQ à editora. E tinha a ver com aliens.

Segundo Kirkman, a simples trama de apocalipse zumbi não convenceu a Image a publicar a HQ na época em que ele apresentou o projeto a eles. Os editores queriam um toque a mais, alguma reviravolta que diferenciasse a série. A solução do escritor foram os aliens: os zumbis na verdade estavam sendo reanimados por uma raça alienígena que se preparava para invadir a Terra destruindo sua infra-estrutura.

A Image topou, mas Kirkman diz que nunca teve intenção de usar esta ideia - que compara ao filme über-trash Plano 9 do Espaço Sideral. A explicação foi só um exemplo de como lidar com o editorial para fazer um projeto acontecer.

O escritor seguiu com outro exemplo, da série Invincible: com o desempenho médio para ruim das primeiras edições, os editores perguntaram a Kirkman se aconteceria algo impactante em breve. O autor revelou seu plano quanto à traição do pai-herói do personagem principal, trama que mudou os rumos da série. Mas ele queria deixar a revelação para a edição 25. "Se você não fizer logo, não vai ter edição 25" foi a resposta dos editores.

A revelação foi adiantada para a edição 13. Invincible - assim como Walking Dead - aproximam-se da edição 100 nos EUA.


[Fonte: Omelete]

The Walking Dead: A Ascensão do Governador chega ao Brasil

A editora Record anunciou o lançamento do livro The Walking Dead: A Ascensão do Governador. A história escrita por Robert Kirkman, autor dos quadrinhos e produtor da série, e Hay Bonansinga, autor de The Black Mariah, conta as origem do Governador, homem que comanda a cidade de Woodbury após o apocalipse zumbi.

O livro é o primeiro de uma trilogia que vai acompanhar um novo núcleo de personagens que deve aparecer na série de TV a partir da próxima temporada.

Em entrevista ao The New York Times, Kirkman disse que sempre viu Rick e o Governador como lados opostos da mesma moeda. Ele também disse que decidiu contar a história em um livro porque nunca quis fazer flashbacks nos quadrinhos.

Para quem não leu as HQs, Kirkman garante que o livro foi criado como uma história independente, que pode ser apreciada em separado.


[Fonte: Omelete]

The Walking Dead - Edição especial tem formato de cabeça de zumbi

A segunda temporada de The Walking Dead pode chegar à sua casa em grande estilo - dentro da cabeça de um zumbi.

Durante a Toy Fair de 2012, a fabricante de colecionáveis McFarlane Toys anunciou que o Blu-ray do segundo ano da série terá uma caixa especial que trará os discos dentro de uma cabeça zumbi quase em escala 1:1.


Além de ter os dentes à mostra e um pouco de pele faltando em seu rosto, o zumbi também vem com uma chave de fenda fincada no olho esquerdo.


A cabeça foi desenvolvida com base em um busto real, criado pelo especialista em efeitos especiais da série, Greg Nicotero, e o grupo KNB EFX.


[Fonte: Omelete]

segunda-feira, 12 de março de 2012

Porque, George, porque???

Eu particularmente, acho essa notícia uma merda, pra não dizer coisa pior. Não pensei que o George Romero pensasse desta maneira. Imagina que show ele dirigindo um episódio de The Walking Dead? Seria fodástico! Porém, não é o que a notícia diz...

The Walking Dead é a atual referência quando o assunto são zumbis. Mas George Romero sempre permanecerá como um dos primeiros a ter explorado as criaturas no cinema moderno.

Em entrevista ao blog Zap2It, o cineasta confessou nunca ter assistido a um episódio sequer da série. Além disso, Romero recusou a direção de um episódio: "Frank [Darabont] e [Greg] Nicotero me ligaram e pediram que eu dirigisse um episódio. Eu não tenho a menor vontade de fazê-lo porque [...] meus zumbis vivem em um universo meu, que é diferente do universo da série."

Romero continou, dizendo: "Não gosto do quão popular os zumbis se tornaram. Eu costumava pensar que eles eram como uma marca minha. Agora vejo zumbis por todos os lados - e não fico feliz."

Na boa, também não tô feliz com a tua declaração, George. =(


[Fonte: Omelete]

Make Me Zombie

O nome do site é Make Me Zombie, e o que ele faz é transformar você em um zumbi.
Calma, seu cérebro não será comido. O máximo que acontece é você fazer um upload de alguma foto sua e mandar ver no botão.

O resultado deste que vos fala está abaixo.
Bizarro, não? rsrs

HQ Zumbis: O Mundo dos Mortos

A Gal Editora está lançando Zumbis: Mundo dos Mortos, antologia de HQs que reúne vários nomes dos quadrinhos britânicos - e, numa edição nacional especial, histórias extras por quadrinistas do Brasil.

Lançada em 2007 no Reino Unido, a HQ tinha várias histórias curtas por Dave West, Marlween Lowe, Leah Moore (filha do Alan), John Reppion, David Hitchcock, Kieron Gillen, Andy Bloor e Colin Mathieson. A edição brasileira tem contribuições de Gustavo Daher, Fábio Perez e Alvaro Omine, entre outros.

Zumbis: Mundo dos Mortos tem 144 páginas, histórias coloridas e preto e branco, e custa R$ 34,90.

Eu já reservei o meu exemplar. Pena que ainda vai levar um tempo pra chegar. [ATUALIZADO] Já estou com meu exemplar e a HQ realmente é bem interessante. Recomendo. pra quem é fã.

Como se preparar para um Apocalipse Zumbi

Essa eu vi no Mundoidão.

Um acampamento no Reino Unido promete treinamento especializado para garantir a sobrevivência durante um apocalipse zumbi. A formação do Boot Camp Zombie inclui exercícios de combate a mortos-vivos e ensina a usar armas como pistola, fuzil, granadas e motosserra.


Durante o curso os alunos utilizam roupas especiais e trabalham com instrutores em simulações de ataque de comedores de cérebro (e outras partes), que devem ser rechaçadas com a munição adequada. Conforme o OddityCentral, uma das lições mais assustadoras é como preparar um zumbi para o almoço.

The Walking Dead - Saiba como seria o início da segunda temporada se Frank Darabont ainda comandasse a série

Muita gente acha que a saída de Frank Darabont da produção de The Walking Dead prejudicou a série, e os ânimos continuam acirrados. Durante uma entrevista ao blog Paranormal Pop Culture, o ator Sam Witwer (Smallville, O Nevoeiro) - que interpretou o zumbi soldado que Rick encontra dentro do tanque no início da série - contou como seria o início da segunda temporada de acordo com os planos de Darabont. Segundo Witwer, a ideia era contar em flashback como aconteceu a invasão zumbi em Atlanta.

O AICN então procurou Darabont para que este pudesse explicar exatamente esse flashback. A resposta é um longo email que detalha a trama, caso o ex-produtor tivesse continuado no comando no ano dois:

"[...] Eu queria ter começado a segunda temporada com o episódio flashback descrito por Sam [Witwer], que teria acompanhado um esquadrão de Rangers do Exército que acaba preso na cidade, tentando sobreviver conforme Atlanta é tomada.

Sam Witwer e Andrew Lincoln

A ideia era fazer um documentário bem focado, como se você estivesse passando por aquela situação com aquelas pessoas. Não usaríamos o método de 'câmera na mão', mas faríamos tudo ficar um pouco mais bruto que o resto da série. Começaríamos com um esquadrão de sete ou oito soldados sendo deixados na cidade por um helicóptero. Eles teriam coordenadas e um mapa para chegar ao local pré-determinado, onde serviriam de reforço para outro grupo já presente. Não era uma missão especial, era basicamente uma medida cautelar que colocaria mais soldados em locais chave ao longo da cidade. Tudo o que eles teriam que fazer é andar por volta de 12 quarteirões. Mas o que começa como uma tarefa simples vai de 'a cidade tem de ser protegida' para 'puta merda, perdemos controle, o mundo vai acabar'. A cada curva, o esquadrão depara com obstáculos e, não muito tempo depois, começa a apenas tentar se manter vivo. Eu queria fazer uma história bem intensa, tensa e focada nos personagens, não na situação.

Ao longo do caminho, eu pensei em rapidamente ligar essa história com alguns dos personagens já estabelecidos na série. Não faria nada que ficasse forçado demais já que isso poderia tornar tudo bem bobo. Mas eu pensei que seria ótimo desviar um pouco da narrativa da série e contar essa história sobre os soldados. Imagine o esquadrão chegando em uma barreira que impedia a saída dessas pessoas da cidade para que o contágio não acontecesse mais rápido. Seria uma cena intensa e cheia de pânico. Mas, na multidão, você vê Andrea e Amy. Os soldados da barreira entram em pânico, a multidão é atacada por tiros de metralhadora e essas duas garotas são resgatadas por um senhor de idade que elas nem conhecem, Dale. Ele não é ninguém pra elas, apenas um cara que deparou com a oportunidade de fazer a coisa certa e reagiu de acordo com o momento. Isso seria apenas um ou dois minutos do episódio, apenas um desvio interessante, mas teríamos presenciado o momento no qual Dale encontra Andrea e Amy, visto como a relação deles começou. Também senti que seria uma ótima oportunidade de trazer Emma Bell [atriz que viveu Amy] de volta para a série, nem que por um breve momento, já que ela fora incrível. (Claro que essa ideia com os personagens já estabelecidos poderia não funcionar. Nós tentamos muitas coisas conforme o programa se desenvolve, mas achei que tudo isso daria muito certo.)

Então a história segue esse grupo de soldados conforme a cidade desaba, com o personagem de Sam sendo o principal. Ele acaba sendo o último sobrevivente do esquadrão, finalmente chegando ao local que eles estavam tentando chegar desde o início: é a barreira no cruzamento em frente ao tribunal de Atlanta, onde Rick encontra o tanque. O soldado ainda está vivo ao chegar ali, mas ele foi mordido. Ele então se arrasta para dentro do tanque, procurando apenas abrigo para sair das ruas infestadas. Conforme a febre dele vai aumentando, ele começa a ter alucinações, pega sua última granada e considera se matar. Ele põe a granada em cima da prateleira por um momento para refletir em toda a dor e sofrimento que o levaram a esse terrível fim de vida, tomando coragem para puxar o pino. Mas, antes que ele possa fazer qualquer coisa, a febre toma conta e ele morre.

Depois do soldado sofrer essa morte miserável e solitária, após uma silenciosa passagem de tempo, fazemos uma reprise cena-a-cena do episódio-piloto, com Rick entrando do tanque e atirando na cabeça do soldado-zumbi. Agora Rick está preso... Fade out.... O fim.

A ideia era pegar aquele zumbi do tanque e contar sua história. Fazê-lo a estrela de seu próprio filme, seguir sua jornada, mas não revelar quem ele era até o fim. Isso serviria pra mostrar que todo zumbi tem a sua história, todo figurante morto-vivo foi um ser humano. E nós teríamos acompanhado a vida desse cara em particular, visto como a vida dele teria terminado. Foi por isso que eu contratei Sam para o soldado-zumbi do tanque ao invés de ter dado o papel para um extra qualquer. Eu tinha essa história em mente quando gravamos o piloto, e eu sabia que precisaria de um ótimo ator para dar continuidade àquela trama.

Aí, quando chegássemos no segundo episódio da segunda temporada, já estaríamos de volta com Rick e o grupo, continuando a história terminada na primeira temporada.

Sempre tive em mente a ideia de um episódio diferente para cada temporada, como início ou final daquele ano. Uma história separada, completamente diferente daquela que vínhamos acompanhando mas que, no final, se provaria ligada com a trama central. Lost fez isso algumas vezes e eu adorei. Sempre me pareceu uma escolha ousada que recompensava a audiência fiel.

É isso para mim. Espero que esteja tudo bem por aí.

Lembranças, Frank."

Show, né? Pena que Frank Darabont saiu de The Walking Dead. Pena mesmo.


[Fonte: Omelete]

The Walking Dead - Produtor e ator falam sobre o fatídico acontecimento do último episódio

A segunda temporada de The Walking Dead termina no próximo domingo nos EUA, mas um acontecimento já esperado por quem acompanha a HQ aconteceu no penúltimo episódio, que foi ao ar ontem. Se você ainda não viu o episódio ou prefere não saber, dê meia-volta. A partir daqui é só spoiler.

No episódio, depois de um longo processo de esgotamento emocional e de rivalidade com Rick, Shane é morto pelo amigo a facadas. Quando Shane volta como zumbi, é morto pela segunda vez pelo filho de Rick, Carl, com um tiro na cabeça. Assim, a série de TV inverte a ordem dos quadrinhos: Shane primeiro era morto por Carl com um tiro quando o menino tenta defender o pai e, muito tempo depois, quando todos descobrem que cadáveres voltavam como zumbis mesmo sem serem mordidos, Rick volta ao local do enterro para matar Shane de vez.

Jon Bernthal como Shane, em The Walking Dead

O Hollywood Reporter e o TVLine conversaram com Robert Kirkman, o criador da HQ e produtor da série, sobre o desfecho, enquanto a revista EW entrevistou o ator Jon Bernthal, o intérprete de Shane.

Bernthal comenta: "Foi meio louco. Eu nunca pensei que viveria um zumbi até chegar a hora em que tive que viver um. Todo mundo deu alguma sugestão para essa cena. Tentei convencer Greg Nicotero a deixar que eu tivesse uma fala, algo como um zumbi falando 'Riiiick...', mas ele não deixou. Filmamos a noite toda, foi muito emotivo. Até Jeff DeMunn [que faz Dale] pegou um voo e veio estar presente na filmagem, fiquei muito emocionado. Os roteiristas queriam que fosse de um jeito, os atores de outro, os produtores de outro, mas só o fato de estar sozinho ali com Andy [Lincoln, o ator que faz Rick] já valeu. A gente disse 'então, aqui somos eu e você, então vamos fazer isso pra nós dois'. Ele é meu irmão, é o melhor amigo que eu fiz no mundo dos atores, então o fato de terminar assim foi muito emotivo".

Kirkman diz que a primeira temporada teria terminado com a despedida de Shane (que nos quadrinhos é morto no número seis) se a AMC tivesse produzido 13 episódios, ao invés de seis. "Então expandimos um pouco a história pra conseguir contá-la inteira. Sabíamos desde o primeiro dia que a segunda temporada acabaria com a morte de Shane, então foi uma questão de construir a tensão entre ele e Rick."

O produtor quadrinista justifica o fato de Rick ter matado Shane, e não Carl, como na HQ: "Na sala dos roteiristas, sentimos que Rick era muito passivo às vezes e não decidia coisas sozinho. Então colocar Carl para matar Shane teria sido um erro. Mas é importante no desenvolvimento de Carl como personagem que ele tenha se envolvido". Kirkman diz que chegou a pensar em preservar Shane: "Cheguei a pensar que poderíamos fazer coisas interessantes com ele. O fato de Shane estar na fazenda de Hershel trouxe questões interessantes. Mas manter Shane seria roubar espaço de Rick, e a série é sobre a jornada dele. Era hora de fazer Rick emergir e ver como a morte de Shane o afetaria".

Sobre a facada e o que virá no final da temporada: "Queríamos que a morte fosse brutal e meio íntima. A questão da volta dele como zumbi, mesmo sem ter sido mordido, é algo que conectamos com o segredo sussurado por Jenner [no final da primeira temporada] e que será revelado no próximo episódio, quando Rick conta a todos o que Jenner sussurrou pra ele. A morte do Shane ainda vai ecoar na terceira temporada, vamos ver como ela afeta as pessoas. E a origem da horda de zumbis será revelada no próximo episódio, vamos ver de onde ela veio e vamos explicar um pouco como as hordas de zumbis se formam e se comportam. Vamos responder várias coisas nos primeiros minutos do season finale".

Sobre as mortes futuras, Kirkman reitera o que havia dito antes: na TV, alguns personagens vão viver menos do que nos quadrinhos e outros viverão mais, a exemplo do que ocorreu nesta segunda temporada.

A segunda temporada continua sendo exibida nos EUA pela AMC e no Brasil pelo canal pago Fox.


[Fonte: Omelete]

sábado, 3 de março de 2012

The Walking Dead - Escolhido o ator que viverá o Governador

A rede AMC escolheu o ator que fará em The Walking Dead o Governador, principal vilão da série nos quadrinhos. É David Morrissey, de Instinto Selvagem 2 e Intrigas de Estado.

[David Morrissey e o Governador]

Segundo o Deadline, o ator britânico estará no elenco fixo da terceira temporada, mas sua participação no final desta atual segunda temporada ainda é dúvida... Vamos acompanhar. Nas HQs, o Governador é o líder de Woodbury, comunidade de sobreviventes do apocalipse zumbi.

O ano dois continua sendo exibido nos EUA pela AMC e no Brasil pelo canal pago Fox.


[Fonte: Omelete]

sexta-feira, 2 de março de 2012

Revisitando os filmes de zumbis de George Romero - A Ilha dos Mortos (20088)

[A ILHA DOS MORTOS (SURVIVAL OF THE DEAD, 2008)] Cotação: • •

Pois Survival of the Dead, o novo filme de mortos-vivos do mestre George A. Romero, é quase um Zombie 3: a impressão que fica ao final é que Romero, que já está bem velhinho (completou 70 anos no início de 2010), abandonou as filmagens pela metade e algum outro diretor com estilo totalmente oposto (ou nenhum estilo) assumiu as filmagens – neste caso, um Uwe Boll ou um Steve Miner em fase do remake do Dia dos Mortos, só para dar uma ideia do drama. Survival of the Dead (cuja tradução literal seria Sobrevivência dos Mortos) é o sexto filme sobre zumbis escrito e dirigido por George Romero, mas como o anterior, Diário dos Mortos (2007), deixa a impressão de que o cineasta veterano está ficando gagá e precisa de internação imediata num asilo.

Afinal, quando lembramos que foi ele o responsável por alguns dos melhores (e mais sérios) filmes de mortos-vivos da história do cinema de horror, e e foi ele quem criou os cânones sagrados deste bem-sucedido subgênero, é impossível não se espantar com a falta de qualidade, com o humor negro deslocado e com as piadas infames deste seu novo trabalho, que lembra uma esquisita auto-paródia, ou uma tentativa de imitar o estilo de diretores como Sam Raimi e Peter Jackson – que por sua vez, ironicamente, foram influenciados fortemente pelo próprio Romero!

Chegamos, assim, a A Ilha dos Mortos, que também não tem relação com a quadrilogia original (Noite, Despertar, Dia, Terra), mas é uma sequência direta de Diário dos Mortos, como se o diretor estivesse querendo fazer uma nova série independente (trilogia? quadrilogia?) sobre mortos-vivos. Pela primeira vez na saga Romeriana, um personagem do outro filme retorna para criar um elo de continuação oficial, e pela primeira vez a trama tem um narrador. (Nota: É claro que eu não estou contando o personagem de Tom Savini em O Despertar dos Mortos, que reapareceu, durante alguns segundos, como morto-vivo em Terra dos Mortos). A trama de A Ilha dos Mortos se passa seis dias depois que os mortos começaram a andar, ou seja, seis dias depois dos fatos mostrados em Diário dos Mortos. O personagem que retorna é o coronel da Guarda Nacional "Nicotine" Crocket (Alan Van Sprang, que apareceu também em Terra dos Mortos, mas interpretando outro personagem). Para quem não lembra, Crocket era mostrado rapidamente em Diário dos Mortos, liderando um grupo de soldados que assaltava o trailer dos jovens protagonistas daquele filme – um episódio mostrado em flashback no início de A Ilha dos Mortos.

O novo filme começa mostrando o descontrole da Guarda Nacional para deter a ameaça cada vez maior dos mortos-vivos, e é quando Crocket resolve picar a mula, acompanhado de três colegas: Chuck (Joris Jarsky), Cisco (Stefano DiMatteo) e a soldada machorra Tomboy (Athena Karkanis). Ao invés de proteger a população dos ataques dos zumbis (que os personagens chamam de "deadheads", ou "cabeças mortas"), o quarteto sai roubando, saqueando e protegendo o próprio traseiro enquanto a sociedade desmorona.

Paralelamente, somos apresentados aos moradores de Plum Island, uma ilha distante da costa, onde os moradores igualmente enfrentam a ameaça dos mortos-vivos. Ali vivem dois clãs de descendência irlandesa, que acabam lutando entre si ao invés de se unir (tema recorrente no cinema de Romero). A família O'Flynn, liderada pelo patriarca Patrick (Kenneth Welsh), incentiva a destruição sem trégua de todos os mortos-vivos para proteger os vivos, enquanto a família Muldoon, liderada por Seamus Muldoon (Richard Fitzpatrick), prega a convivência pacífica entre humanos e zumbis, na busca de uma possível cura para a "epidemia". Afinal, é possível que um dia alguém descubra uma vacina para transformar aqueles mortos-vivos famintos de carne humana em pessoas "normais" novamente...

Quando o clã O'Flynn é derrotado, Patrick é exilado pelo arquiinimigo Muldoon, sendo obrigado a retornar para o continente com alguns seguidores, abandonados à própria sorte. É quando o caminho dos deportados se cruza com o dos soldados errantes liderados por Crocket, através de um vídeo gravado pelo irlandês e difundido na internet, prometendo a salvação da ameaça zumbi para quem acompanhá-lo de volta até Plum Island. (Claro, é preciso acreditar que a internet ainda estará funcionando em pleno ataque maciço de mortos-vivos, que um sujeito consegue gravar um vídeo e fazer upload no YouTube, e que outros sujeitos arranjem tempo, enquanto lutam contra zumbis, para acessar a internet e assistir o tal vídeo!).

Logo, O'Flynn e os militares unem forças, roubam uma balsa e seguem até a ilha para um sangrento confronto. Não com os mortos-vivos, mas com os homens de Muldoon, que continuam tentando "domesticar" os zumbis para que se alimentem de animais, e não de pessoas – talvez a melhor ideia de Romero nos últimos tempos.

O filme termina deixando o espectador com a pulga atrás da orelha: afinal, quem estava certo era O'Flynn, pregando o extermínio dos mortos-vivos, ou Muldoon, que pretendia domesticá-los e reintegrá-los à sociedade? Esta irônica questão talvez seja o único aspecto Romeriano de Survival of the Dead, uma produção bizarra que mais parece um roteiro escrito por Claudio "Zombie 3" Fragasso e entregue para George A. Romero filmar!
Olhando pelo lado bom, Survival of the Dead ao menos diverte – embora às vezes as gargalhadas sejam involuntárias, e não dá para sacar até onde Romero está fazendo graça DE PROPÓSITO! É muito melhor que Diário dos Mortos, mas isso também não quer dizer nada (pior do que aquele seria muito difícil…).

O diretor-roteirista corrige alguns erros marcantes do seu trabalho anterior, abandonando o estilo "falsa filmagem verdadeira" (até porque nenhum fotograma de Diário dos Mortos realmente lembrava uma "filmagem amadora"!) para voltar à narrativa convencional, e principalmente deixando de lado os personagens adolescentes, embora insista em adicionar à trama um anônimo teen que não fede e nem cheira (interpretado por Devon Bostick). Dos demais personagens de Diário dos Mortos, porém, não há nem menção, o que já é um ponto positivo.

A Ilha dos Mortos também tem algumas boas ideias esparsas, como a experiência de mudar a "dieta alimentar" dos mortos e a tentativa dos sobreviventes de buscar refúgio numa ilha, distante das garras dos zumbis, e não numa estrutura mais propensa aos ataques, como a fazenda de A Noite dos Mortos-vivos ou o Shopping Center de O Despertar dos Mortos. Inclusive eu acho que procurar uma ilha seria a coisa mais sensata a se fazer no caso de um ataque de zumbis, e é engraçado que Romero só tenha pensado nisso no seu sexto filme do gênero, depois que outras produções já haviam abordado a mesma hipótese (como no final de Madrugada dos Mortos).

Infelizmente, porém, Survival of the Dead tem erros tão grandes ou maiores que os seus acertos. O principal deles é que todos os personagens são irritantes e dispensáveis (como já acontecia em Diário dos Mortos), e é simplesmente impossível torcer por qualquer um dos protagonistas. Se fossem todos para a goela dos zumbis, não faria a menor diferença. Aliás, nem mesmo os zumbis são "simpáticos" dessa vez, então a nulidade é total!

Outro problema grave é a indecisão de Romero em relação ao tom do filme: a narrativa muda o tempo todo de um clima de horror sério para um tom jocoso e brincalhão, que não combina com a proposta do diretor. Sim, havia humor negro velado nas outras obras de Romero, como as "tortadas" na cara dos zumbis em O Despertar dos Mortos, mas era um humor sutil e integrado à narrativa (no exemplo citado, para mostrar que os personagens já estavam tão acostumados a matar zumbis que até já brincavam com eles). Não é o que acontece em A Ilha dos Mortos, que traz cenas como a de Crocket incendiando a cabeça de um zumbi com um sinalizador (ele fica idêntico ao Motoqueiro Fantasma!) e acendendo seu cigarro nas chamas enquanto o monstrengo se debate! Isso sem contar o constrangedor momento da "pesca de zumbis", em que um sujeito fica fisgando mortos-vivos do fundo do mar com uma vara-de-pesca comum para depois matá-los a tiros!

Porém o momento de humor mais infame e questionável deste novo filme remete ao clima pastelão dos desenhos animados, uma característica dos já citados Sam Raimi e Peter Jackson, mas nunca vista antes no cinema do veterano Romero. Nesta cena, Crocket joga uma granada contra um casebre onde estão vários homens atirando. A explosão derruba a parede e, quando a fumaça baixa, vemos os homens que estavam no interior do casebre imóveis e com o rosto coberto de fuligem preta – como acontece tradicionalmente nos desenhos animados, em que as explosões nunca machucam ninguém! É um momento tão absurdo que me deixa tentado a crer que o espírito de Bruno Mattei baixou no velho George nos últimos anos, já que Diário dos Mortos também tinha umas bobagens parecidas.

É possível que o veterano George esteja tentando se adaptar aos "novos tempos", mostrando à garotada que também pode fazer um filme de zumbis engraçadinho, a exemplo do que vimos nos últimos anos com os ingleses Shaun of the Dead e Doghouse, o norueguês Dead Snow e o recente Zumbilândia. Se era esta a proposta, porém, Romero deveria pelo menos se decidir entre o terror "cabeça" ou humor pastelão, não misturar os dois, bem como contratar um outro roteirista para bolar umas piadas menos infames e constrangedoras.

Tudo considerado, a ideia da ilha também acaba sendo queimada à toa, já que é muito mal-aproveitada pelo roteiro (cujo foco é mesmo a inimizade das duas famílias). Há uma única cena decente que envolve um personagem sendo obrigado a nadar no mar infestado de zumbis (sim, zumbis aquáticos!), mas depois disso até esquecemos que a história se passa numa ilha, já que a localização geográfica não é mais explorada pelo roteiro. Logo a história se transforma numa espécie de western, com pistoleiros a cavalo enfrentando os soldados e suas metralhadoras, e os zumbis fazendo a festa no meio. É quando Romero demonstra estar falhando até como cineasta, ao filmar um tiroteio em que as pessoas correm a descoberto atirando umas nas outras, mas sem nunca atingir ninguém – ao estilo David A. Prior em clássicos como Deadly Prey e Operation War Zone.

Finalmente, A Ilha dos Mortos tem o grande defeito de ser repetitivo até o talo, uma característica que já vinha de Diário dos Mortos. Afinal, o que Romero pretende com esta nova série independente sobre zumbis? Se a ideia era contar novas histórias, por que não adicionar novas ideias? Não é o que estamos vendo até agora: tanto Diário... quanto A Ilha dos Mortos não passam de auto-plágio e reaproveitamento de temas e ideias já vistas nas quatro obras anteriores, sem qualquer novidade ou conceito diferente do que o próprio Romero já filmou nas últimas quatro décadas. Haverá, portanto, alguma razão, que não a financeira, para ele estar fazendo estas novas produções?

O próprio argumento de Survival of the Dead é muitíssimo parecido com Dia dos Mortos. Se naquele tínhamos o conflito entre um grupo de militares (que queria destruir os zumbis) e um grupo de cientistas (que queria domesticá-los) dentro de um laboratório subterrâneo, neste sexto filme muda apenas o ambiente (para uma ilha), mas o tema é o mesmo, com um novo grupo de militares (que também quer destruir os zumbis) lutando contra um grupo de fazendeiros (que também quer domesticá-los). A própria conclusão é idêntica à de Dia dos Mortos, com os zumbis se libertando do seu cativeiro para resolver o impasse entre os dois grupos rivais.

Romero também reaproveita de Dia dos Mortos (e do posterior Terra dos Mortos) o tema da "evolução" dos mortos-vivos. Se no primeiro tínhamos Bub, o zumbi domesticado para repetir atos prosaicos do dia-a-dia, e no segundo tínhamos Big Daddy, o zumbi que subitamente ganhava consciência e liderava os colegas mortos-vivos contra seus opressores humanos, em A Ilha dos Mortos temos os mortos-vivos de Muldoon, que foram acorrentados e condicionados a repetir hábitos diários para esquecer a fome por carne humana. Lembra daquela polêmica toda sobre a inteligência de Big Daddy em Terra dos Mortos? Bem, vai ser engraçado ver o que esse mesmo pessoal vai dizer diante de algumas cenas de Survival of the Dead, como a dos zumbis cortando lenha, entregando correspondência, cozinhando (!!!), dirigindo carros (!!!) e até andando a cavalo!!!

E se a repetição de temas não é indício suficiente de que Romero não tem mais história para contar, Survival of the Dead ainda repete todas aquelas batidíssimas situações já vistas e revistas em todos os outros cinco filmes de mortos-vivos do diretor (além de suas incontáveis imitações, refilmagens e variações). A saber: um personagem secundário cuja transformação em zumbi é iminente e precisa implorar para o parceiro matá-lo, o drama de alguém tendo que decidir entre atirar ou não na cabeça de um familiar recentemente falecido, e até o velhíssimo tema do "eles poderiam se unir contra os zumbis e sobreviver, mas preferem lutar entre si e se matar". O que parece, pelo menos na minha opinião, é que o diretor antigamente tinha algo a dizer com seus filmes de zumbis, fazendo interessantes alegorias com as sociedades contemporâneas a cada episódio. Isso explica o grande intervalo entre os capítulos da quadrilogia original: 10 anos entre Noite e Despertar, sete entre Despertar e Dia, e 20 entre Dia e Terra. Agora, em contrapartida, o intervalo entre os filmes diminuiu bastante, e Romero parece não ter mais muita coisa para dizer: tirando as roupas, penteados e obviamente os aparatos tecnológicos, como celulares e computadores, vistos em Diário... e Survival of the Dead, o que sobra são tramas tão atemporais e impessoais que poderiam muito bem se passar nos anos 60, 70 ou 80, mas que não fazem grandes retratos da geração atual, como acontecia com os anteriores – a não ser que a geração atual seja mesmo tão medíocre que Romero nem consegue pintar-lhe um retrato decente!

Enfim, o que sobra aqui é um filme de zumbis que diverte, sim, e que consegue manter a atenção até o final sem dar raiva, ao contrário de Diário dos Mortos. Mas isso é pouco, muito pouco perto do que se espera de uma obra assinada por George A. Romero, e não traz absolutamente nada de novo em relação à infinidade de histórias sobre mortos-vivos já narradas pelo seu diretor – ou por seus imitadores – de maneira melhor e mais eficiente nos últimos anos. Não há criatividade, não há situações novas ou personagens interessantes, e mesmo as mortes (a grande atração das produções do gênero) são pouco inspiradas.
Para piorar, Romero aposenta de vez os velhos "sangue falso e maquiagem" dos bons tempos (que saudade do Tom Savini!), substituindo-os por exagerados efeitos de computação gráfica, tornando cada cena de morte involuntariamente cômica – espere só para ver o resultado de um extintor de incêndio sendo disparado no interior da boca de um zumbi, por exemplo!

Até há alguns poucos e eficientes efeitos de maquiagem produzidos pela equipe do especialista Greg Nicotero, principalmente na parte final (que traz os tradicionais corpos humanos sendo rasgados em tiras pelos mortos), mas na maior parte do tempo o espectador precisa aturar absurdos como este mostrado nas fotos deste artigo. E pensar que tinha gente que reclamava do suposto CGI fraco de O Último Trem...

A Ilha dos Mortos demonstra, assim, evidentes sinais de cansaço de um cineasta veterano e respeitadíssimo, que perceptivelmente não soube se reinventar, não tem novas ideias nem histórias para contar, e soa tristemente "demodé" diante da concorrência, lançando dois novos filmes (este e Diário dos Mortos) que perdem feio até para remakes (como Madrugada dos Mortos, que é uma reinvenção de O Despertar dos Mortos e para reinterpretações que deram sangue novo a um tema já batido (REC, os dois Extermínio, Fido – O Mascote e o brasileiro independente Mangue Negro). Até mesmo Bruiser – A Máscara do Terror, uma produção beeeem menor dirigida por Romero no ano 2000, soa mais interessante e criativa que os dois últimos filmes do mestre.

E se elenco nunca foi o forte das obras de zumbis do diretor (com exceção de Terra dos Mortos, que tinha várias caras conhecidas), A Ilha dos Mortos mantém-se na mesma média, com um festival de interpretações nada memoráveis ou expressivas, e um único destaque, Kenneth Welsh (o Windom Earle do seriado Twin Peaks), apropriadamente dúbio como um personagem em quem o espectador não sabe se pode ou não confiar.

Como curiosidade, os realizadores parecem ter selecionado seu elenco assistindo Jogos Mortais, já que sete dos seus atores participaram de episódios desta franquia: Athena Karkanis foi a agente Perez de Jogos Mortais 4 e Jogos Mortais 6, Devon Bostick interpretou Brent na Parte 6, Julian Richings vem da Parte 4, o "herói" Alan Van Sprang foi Chris em Jogos Mortais 3, Joris Jarsky enfrentou a famosa armadilha do pêndulo em Jogos Mortais 5, e até os figurantes Wayne Curnew e Ho Chow foram igualmente figurantes nas Partes 5 e 2, respectivamente. Bem, podemos subir o total para oito se contarmos o "zumbi" Dru Viergever, um dos nomes anunciados para o elenco do atualmente em produção Jogos Mortais 7.

Segundo o nem sempre confiável IMDB, George Romero não tem novos planos para um outro "'Qualquer coisa' dos Mortos", mas não se espante se ele logo retornar ao seu universo de mortos-vivos para um sétimo filme do gênero. Minha única expectativa é que ele passe a borracha em Diário dos Mortos e A Ilha dos Mortos, e desta vez não tenha pressa, reservando algum tempo para maturar decentemente uma boa ideia. Tudo bem que Romero lançou as bases para os filmes de zumbis que temos hoje, mas isso não é desculpa para que ele fique se repetindo infinitamente, como se dezenas de outras produções não tivessem retrabalhado os mesmos temas nos últimos anos. Talvez alguém precise puxar a orelha do mestre e avisar que só seu nome no cartaz não é o suficiente, embora a horda de fãs puxa-sacos do diretor já esteja preparada para defender seu novo filme com unhas e dentes, por mais burocrático e sem noção que ele seja. Tudo considerado e com alguma generosidade, A Ilha dos Mortos acabaria com uma cotação "bonzinho" (uma nota entre 6,5 e 7); e se o filme parece melhor quando comparado ao fraco Diário dos Mortos, por outro lado se torna uma piada de mau gosto se avaliado à sombra das grandes obras de Romero, como O Despertar dos Mortos.

Assim, eu espero, sinceramente, que a próxima incursão do veterano nas histórias de zumbis retome o clima da quadrilogia original: aquele climão sério, claustrofóbico, violento e sufocante que todos aprendemos a respeitar, e que inúmeros cineastas aprenderam a copiar (na maioria das vezes sem chegar nem perto) desde o A Noite dos Mortos-Vivos original.

Mas o que não dá para engolir são filmes como Diário dos Mortos e A Ilha dos Mortos, que mais parecem imitações baratas e sem imaginação dos clássicos de Romero do que produções assinadas pelo próprio!


Revisitando os filmes de zumbis de George Romero - Diário dos Mortos (2007)



[DIÁRIO DOS MORTOS (DIARY OF THE DEAD, 2007)] Cotação: •

Enquanto todos os outros filmes de zumbis de Romero foram separados por um longo intervalo de tempo, Diário dos Mortos saiu menos de dois anos depois de Terra dos Mortos. Não se sabe a razão da pressa (foi filmado em apenas 23 dias), mas fica evidente, na tela, a falta de uma preparação maior: o diretor-roteirista parece perdido, sem uma história interessante para contar e tomando várias decisões equivocadas.

Na verdade, Diário dos Mortos é tão diferente dos demais que, depois dos primeiros 15 minutos, eu fui pesquisar para ver se realmente tinha pegado o filme de Romero ou se estava vendo alguma versão genérica da The Asylum, tal a falta de estilo/objetivo da película. Romero já começa surpreendendo: esquece sua quadrilogia original e não dá continuidade a Terra dos Mortos, preferindo "rebootar" a franquia e mostrar o que aconteceria se A Noite dos Mortos-Vivos acontecesse agora, em pleno século 21 – uma desculpa para utilizar ferramentas modernas, como câmeras digitais e internet, que não teriam espaço num universo tomado por zumbis pós-Terra dos Mortos. A história acompanha um grupo de jovens universitários que está produzindo um filme barato de horror quando os mortos começam a despertar.

Desesperados, desorientados pela falta de notícias confiáveis (apesar do imediatismo da internet, agora somando-se ao rádio e à TV dos filmes antigos), eles pegam um trailer e atravessam os Estados Unidos em busca de um lugar seguro, lutando contra zumbis e topando com estereótipos de problemas sociais já vistos nos outros episódios (negros que sofrem preconceito, militares com más intenções, humanos usando mortos-vivos como alvos e confirmando sua própria selvageria…).

No meio de tudo isso, um dos jovens, Jason Creed (Joshua Close), resolve filmar tudo para fazer um documentário sobre o retorno dos mortos, chamado The Death of Death. As imagens que vemos seriam uma "versão editada" do material bruto filmado pelos jovens, ao estilo A Bruxa de Blair e Cloverfield. Embora isso permita ao diretor brincar com metalinguagem e ironizar a indústria do cinema (como a jovem que quer acrescentar música e sons ao documentário para torná-lo mais assustador), também acaba se tornando o ponto mais fraco do filme, já que as imagens captadas são "profissionais" demais para parecerem a filmagem amadora de um grupo de jovens – neste aspecto, Romero perdeu feio para The Zombie Diaries e REC, dois filmes com a mesma proposta produzidos antes e ao mesmo tempo de Diário dos Mortos. A ideia em si não é nova, pois remete a um obscuro filme independente norte-americano chamado Dead End, produzido em 1985 e já mostrando a realização de um documentário durante uma infestação de mortos-vivos. Já os personagens adolescentes (nunca antes explorados nos filmes de mortos-vivos do diretor) são irritantes, levando o espectador a torcer para que os zumbis matem a todos.

Talvez isso faça parte da crítica de Romero à sociedade moderna e à "idiotização" dos jovens por ferramentas como a internet, o que fica evidente na cena em que o cameraman prefere filmar um zumbi atacando uma garota do que largar a câmera e ajudá-la. Mas Diário dos Mortos realmente não convence e, pelo menos na minha opinião, é o mais fraco da série de zumbis de George A. Romero, sem muito a dizer e sem novidades em relação aos anteriores – além, claro, da inclusão de adolescentes xaropes nos papéis principais e de constrangedores efeitos em computação gráfica nas cenas de violência. E como é um filme de estrada, em que os personagens ficam zanzando de trailer para lá e para cá, perde-se também a sensação de claustrofobia dos anteriores, quando havia o isolamento num lugar fechado (casa da fazenda, Shopping Center, laboratório subterrâneo, Fiddler's Green). Como curiosidade, gente famosa (Stephen King, Wes Craven, Simon Pegg, Quentin Tarantino e Guillermo del Toro) empresta sua voz para os boletins de rádio e TV ouvidos ao longo do filme. Não foi refilmado ainda (mas bem que poderia…).

Em 1988, o produtor italiano Franco Gaudenzi contratou o cineasta Lucio Fulci para filmar uma continuação de seu grande sucesso (Zombie, de 1980). O orçamento era uma merreca, os atores de segunda linha, as locações nas Filipinas, o roteiro sem pé nem cabeça, e, para piorar, a saúde de Fulci estava por um fio. Ele acabou abandonando as filmagens após alguns dias, deixando pouco mais de uma hora de material filmado. A solução encontrada por Gaudenzi foi chamar os nada hábeis Claudio Fragasso (roteirista) e Bruno Mattei (diretor) para terminar o serviço, e o resultado é Zombie 3, um trashaço daqueles em que nada funciona (cenas que eram para ser sérias acabaram lado a lado com momentos esdrúxulos), e ao mesmo tempo um filme híbrido, esquisito, que foi finalizado por autores de talentos radicalmente diferentes.


[Fonte: Boca do Inferno]

Revisitando os filmes de zumbis de George Romero - Terra dos Mortos (2005)

[TERRA DOS MORTOS (LAND OF THE DEAD, 2005)] Cotação: • • •

Nos 20 anos que separam Terra dos Mortos de Dia dos Mortos, aconteceu tanta coisa no mundo e nos Estados Unidos que Romero poderia muito bem ter feito um filme tão longo quanto O Despertar dos Mortos. Optou por uma metragem convencional (97 minutos), mas isso não significa que tenha pouco a dizer. Produzido por um grande estúdio, a Universal, é o longa de zumbis mais caro do diretor, com orçamento de 15 milhões de dólares.

A história se passa algum tempo depois de Dia dos Mortos: os zumbis putrefatos continuam dominando o mundo, mas já existe uma sociedade feudal na forma de uma luxuosa torre com apartamentos para ricaços, chamada Fiddler's Green. O idealizador do projeto, Paul Kaufman (Dennis Hopper), manda e desmanda nos sobreviventes que ali vivem, como um autêntico ditador. Fiddler's Green é protegida por cercas eletrificadas e um rio, que impedem o avanço dos mortos, permitindo que os seus abastados habitantes possam tranquilamente fazer suas compras no Shopping Center do local (uma auto-citação a O Despertar dos Mortos). Mas é claro que alguém precisa trabalhar pesado para garantir o consumismo/materialismo dos ricos, e esta tarefa cabe às classes pobres que moram no entorno da torre. Seduzidas com a (falsa) promessa de um dia ascenderem à classe alta e poderem morar em Fiddler's Green, homens como Riley (Simon Baker), Charlie (Robert Joy) e Cholo (John Leguizamo) arriscam o próprio pescoço saindo das fronteiras seguras da cidade para enfrentar os zumbis e recuperar mercadorias e bens de consumo no mundo devastado. Isso até "Big Daddy" (Eugene Clark), um dos milhares de zumbis das cercanias, ganhar uma espécie de consciência, liderando seus companheiros, como um autêntico líder sindical morto-vivo, para invadir a torre e aniquilar seus habitantes.

Romero retoma vários temas já trabalhados nos três filmes anteriores: os ricaços vivem uma vida despreocupada e feliz, sem pensar nos zumbis, enquanto há dinheiro e produtos nas lojas (como em O Despertar dos Mortos), e o morto-vivo consciente que lidera a revolução é negro, quase como uma vingança pelo fato do igualmente negro Ben ser assassinado no final de A Noite dos Mortos-Vivos. Além da metáfora óbvia para a luta de classes e para o sonho impossível dos menos favorecidos de "vencer na vida" e conquistar seu espaço em Fiddler's Green, os zumbis separados dos humanos pelo rio e pelas cercas lembram novamente a questão da imigração ilegal (já abordada levemente em O Despertar dos Mortos), remetendo à situação na fronteira dos EUA com o México.

Terra dos Mortos também é um perfeito retrato dos EUA pós-11 de setembro. Tanto que o principal perigo não são os mortos-vivos que cercam Fiddler's Green, mas sim a ameaça do renegado Cholo de explodir a torre com mísseis (uma referência nada sutil ao ataque ao World Trade Center). Kaufman não pretende ceder e manda um esquadrão para acabar com Cholo – "Não negociamos com terroristas", alega ele, bem ao estilo George W. Bush. Até mesmo uma excelente ideia do filme, os coloridos fogos de artifício usados para "distrair" os zumbis, que ficam hipnotizados olhando para o céu, torna-se uma alegoria óbvia à intervenção militar norte-americana no Iraque em 2003, quando as explosões dos mísseis ianques em Badgá, transmitidas via CNN, "distraíam" a zumbificada população norte-americana, que dessa forma não reparava nos problemas sociais e políticos da sua própria nação. Terra dos Mortos dividiu opiniões na época do seu lançamento, mas é um filme que, mesmo com problemas evidentes, cresce a cada revisão – e parece ainda melhor comparado com os dois filmes seguintes de George A. Romero. Não foi refilmado (ainda!).


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