[O DIA DOS MORTOS (DAY OF THE DEAD, 1985)] Cotação • •Meses ou anos se passaram desde O Despertar dos Mortos. As cidades estão desertas, como grandes cemitérios. As transmissões de emergência no rádio e na TV silenciaram, um velho jornal com a manchete "The dead walk" é levado pelo vento numa rua completamente vazia. Não há sinal dos militares que estavam tão certos de controlar a praga zumbi nos dois filmes anteriores, e os poucos sobreviventes são justamente soldados e cientistas que vivem confinados numa base subterrânea, o único lugar em que podem ficar a salvo dos ataques dos mortos-vivos (agora finalmente decompostos e putrefatos).
No cenário claustrofóbico, os vivos vêm perdendo cada vez mais espaço para os mortos. Enquanto o Dr. Logan (Richard Liberty) faz experiências com os zumbis para tentar entendê-los, a tensão cresce entre os dois grupos, principalmente quando um milico fascista, o capitão Rhodes (Joseph Pilato), assume o comando da unidade. Rhodes é o estereótipo do militar norte-americano dos anos 80: diante de uma situação de crise, não hesita em impor sua autoridade para defender o "american way of life" à bala, ameaçando seus desafetos de Corte Marcial mesmo num mundo em que tais burocracias nem deveriam mais existir.
Os sobreviventes contam os dias rodeados por toneladas de microfilmes com declarações da Receita e dados oficiais do governo, que perderam completamente a importância diante do colapso da sociedade. E enquanto os militares esperam uma vacina ou antídoto que ajude a combater e eliminar os zumbis, o Dr. Logan propõe justamente o contrário: domesticá-los para que eles possam ser reintegrados à sociedade, o tipo de solução que um militar dos anos 80 não consideraria em hipótese alguma, pois não é "imediatista" o bastante! Dia dos Mortos foi, durante anos, o último episódio da série de zumbis de Romero; foi, também, mal-recebido na época do seu lançamento, ganhando mais importância e notoriedade com o tempo.
Desta vez não há heróis nem personagens carismáticos; seus protagonistas, além dos militares fascistas, são uma garota feiosa e insensível (Lori Cardille), um piloto de helicóptero meio negro, meio índio (Terry Alexander), um beberrão descendente de irlandeses (Jarlath Conroy) e até um soldado muçulmano (Anthony Dileo Jr.). Este último tem um papel central na conclusão, quando literalmente abre as portas da base subterrânea para que os zumbis possam invadi-la e aniquilar os sobreviventes, numa síntese da visão, já na década de 80, dos muçulmanos como terroristas-suicidas – um detalhe que ganha uma releitura toda especial pós-11 de setembro.
Dia dos Mortos também é o filme em que os mortos-vivos são os personagens mais secundários: a verdadeira ameaça é a relação entre os humanos, que, mesmo em minoria, não conseguem conviver juntos, apegando-se a patentes e "cargos" que não fazem mais sentido. Quando o Dr. Logan explica sua grande descoberta – a de que os zumbis morrerão uma segunda vez pela deterioração do cérebro em cerca de 18 meses -, o espectador já sabe que provavelmente nenhum dos personagens humanos conseguirá sobreviver até lá, pois eles não conseguem manter-se unidos e vivem brigando. O filme ganhou um remake simplesmente pavoroso dirigido por Steve Miner em 2008, que elimina todas as ideias do original e parece mais interessado em copiar Madrugada dos Mortos. Também deu origem a um misterioso e picareta Dia dos Mortos 2 – O Contágio (2005), péssima produção classe Z dirigida por Ana Clavell e James Glenn Dudelson, sem qualquer relação com o filme de Romero além do título mentiroso.
[Fonte: Boca do Inferno]
Um comentário:
Antes de mais nada, muito obrigada pela visita e palvas palavras. Fico muito lisonjeada. E digo mais, é um prazer recebê-lo. Confesso que fiquei fascinada com o seu blog (e assim que terminar de comentar aqui, darei uma olhada no outro que me indicou).
Quanto ao filme; acredita que o assisti há alguns dias? Quando comecei a assistir, não imaginava ser deste ano. Com certeza foi muito popular nos anos 80 e 90; e até hoje, pois se fizeram um remake... enfim. Pra quem gosta do gênero é um filme indispensável.
Agradeço mais uma vez pelo comentário e aproveito para dizer que estarei sempre por aqui aguardando novas indicações. Até breve!
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